Veja so esse sambinha, feito de uma nota so.

Uma nota, um post. Sei que prometi inúmeros, mas confesso que desistia ao me deparar com os teclados. Por isso, assim como o longo samba de uma nota só, vou rezar a bíblia nesse post. Meu mochilão pela Europa está chegando ao fim, e talvez, o melhor lugar para refletir sobre essa viagem mágica seja aqui em Berlim. Essa cidade propicia relexão além de  momentos depressivos, ainda mais nesses dias chuvosos e nublados. Ao chegar na Europa, uma das primeiras impressões que tive foi do contraste do que é mochilar na América do Sul e do que é mochilar por aqui. Parece óbvio, mas eu estava acostumada com hippies vendendo artesanato na rua, mochila surrada nas costas e havaianas e tênis na balada. Mas ao sair do metrô Liceu dei de cara com a Ramblas, passarela de estilos e artistas de rua.

Rambles em Barcelona

Ramblas em Barcelona.

Malas de rodinhas ao invés das mochilas surradas e mochileiros que se arrumam para aproveitar a noite de Barcelona. Salto alto, maquiagem, chapinha e lenços palestinos em todos os pescoços. Ah Barcelona, impossível não se render aos encantos dessa cidade, que mescla a genialidade arquitetônica de Gaudí com estilos medievais em suas misteriosas ruazinhas. Na noite, free pass, memoráveis chupitos e combinados. A noite é uma torre de Babel na qual quase não encontrei espanhóis. A Boqueria, um paraíso de sucos, cores e doces.

Casa Batlo

Casa Batló.

Minha paixao por Haribo comecou nesse mercado.

Boqueria e paixão à primeira vista por Haribo.

Lojas de souvenirs vendem miniaturas de touros e bonecas dançando flamenco, ícones fortes das tradições espanholas que não são comuns a Barcelona. Reflexo de uma confusa identidade de uma cidade que atrai pessoas do mundo inteiro? Talvez. E não é atoa que a todo momento me questionava do que era estar em Barcelona. Mas aqui o que vale é sentir. Essa cidade instiga. E instiga muitos brasileiros, os quais se vêm aos montes por aqui, distribuindo free pass na Ramblas e fazendo caipirinhas em quiosques a frente do Mediterrâneo. Mergulho no mar de poucas ondas, para tentar me desprender da cidade que insistia em me ancorar.

Novo destino é mergulhar no surrealismo de Dalí. Algumas horas na sofisticada cidade de Figueres, cidade natal do pintor, são suficientes para visitar o museu. Por sinal, um dos locais mais peculiares que já estive.

Museu Teatro Dali em Figueres, cidade natal do pintor

Museu Teatro Dalí em Figueres.

Interior do museu de Dali, em Figueres

Interior do Museu

Rumo à Franca, a entrada no país foi como se viajasse entre cidades. Simples. E pausa em cidadezinhas do interior, para contemplar paisagens bucólicas e cenários cinematográficos. Saint Emilion, vilarejo de Bordeaux, que pode ser facilmente comparada a um sonho para mim.  Mais de 200 hectares de vinhedos e degustação de vinhos excelentissimos por 4 euros. Um brinde ao paraíso.

saintemilion1

E Paris, ai Paris. Salvo estereótipos, é de fato uma cidade perfeita para viver romances, mesmo que efêmeros. E Montmartre – bairro de artistas, da boemia e cafés – cenário perfeito de Amelie Poulain, é um convite para um mundo de sensações acompanhado de um café no Deux Molins da Rue Lepic, depois de uma vista inesquecível nas escadas da Sacre Coeur. O pôr do sol na Torre Eiffel vai ficar na caixinha das memórias inesquecíveis.

De Bruxelas e Brugges, levo as excelentíssimas cervejas e os deliciosos chocolates. Duval, Belleville, Cote D’or, Jacques. Das garrafas de vinho para as incontáveis doses de cevada a 9%, com a vista da Gran Plaza e seu céu de falsas estrelas.

bruxelas1

Amsterdam? Esta foi a cidade que mais me surpreendeu. Confesso que esperava algo com SinCity. Mas me deparei com um sistema organizado e com um povo incrivelmente unido para defender seus ideais. Um mapa impossível de entender, casas tortas, excesso de luzes  e um hostel chamado Flying Pigs. E o gato da Alice de pelúcia que ganhei em um parque de diversões talvez seja meu melhor souvenir dessa cidade.

E início a Alemanha em Koln, a cidade dos contrastes. Igrejas góticas e românicas contrastam-se com a modernidade dos edifícios reconstruídos após a 2GM. E parada obrigatória no Museu Ludwing para babar em Andy Warhol e Ruy Lichenteistein.

Em Berlim, dias chuvosos e cinzentos. Grafites, noite intensa, peso da história e um povo que encontra outras maneiras de encarar um passado recente. Homens passam-se por Charlie e carimbam passaportes falsos, gritando que este é o melhor souvenir de Berlim. Mais sátiras em East Side Gallery. Em Sachsenhausen, impossível segurar as lagrimas. Neblina, cervejas e salsichas com curry na despedida. No lugar de samba, um rock alternativo no beco underground da cidade. E mais um desafio de fronteiras me espera amanhã, dessa vez não tão simples como passear entre cidades.

posted by All in E.

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2 Respostas para “Veja so esse sambinha, feito de uma nota so.

  1. mochilacolaborativa

    “desprender da cidade que insistia em me ancorar”. Não sei mesmo como vc conseguiu se desprender de Barcelona. Não fui forte assim..rs. Post demorou, mas saiu. bem bonito. mas quiero as histórias ao vivo!

  2. Que vontade de começar tudo de novo! Fazer as malas agora mesmo e voltar pra esse “universo paralelo” de quem está viajando. Mochilar com mala de rodinhas e maquiagem no rosto…Ainda assim, tudo de bom!!! Saudades chica!

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